sábado, 17 de junho de 2017

Clara e seus botões



 Clara
 
e
Seus
botões...

De ponta cabeça

          Clara era uma menina que adorava fazer perguntas. Tinha recebido o nome perfeito. Sim, Clara! O nome lhe cabia muito bem, na opinião da mãe, não simplesmente porque a menina era bem clarinha, da pele bem alva, como algodão, mas porque a menina adorava explicações. Com ela tudo tinha que ser esclarecido na hora. Nada de deixar dúvidas para depois. Tudo às claras. As perguntas sem resposta a sufocavam, como se faltasse o ar para respirar. A avó sempre dizia: que menina mais perguntadeira!... Essa menina é muito precoce para a idade que tem! Se ela não entende, diz que o mundo está de ponta cabeça. E lá foi Clara procurar saber o que era precoce. Se a mãe não estava por perto para esclarecer, era um Deus nos acuda, um agita daqui e outro procura dali, até achar a resposta... A mãe era a tábua de salvação, porque sabia buscar a melhor explicação no dicionário. O que ela não suportava era ficar com uma palavra perdida, boiando dentro da cabeça, remoendo, incomodando, sem entender o que queria dizer. Pois, lá no dicionário, a mãe rapidamente encontrava o significado de tudo. Encontrava e lia para Clarinha... Se fosse preciso também esmiuçava a explicação, até a filha ficar satisfeita. Clara era a menina dos porquês: por que isto? Por que aquilo, por que aquilo outro? Pois vamos lá, dizia a mãe!Vamos mergulhar no dicionário... Precoce é um adjetivo, uma qualidade; significa prematuro, antecipado, temporão. Fui Clara? Perguntava a mãe, para se divertir com a filha Clara curiosa. Sim, precoce era a qualidade de alguém que fazia as coisas antes da hora. O bebê prematuro é o que nasce antes dos nove meses... (nove meses é o tempo que leva para o bebê ficar prontinho na barriga da mãe, até a hora de nascer). O fruto temporão é o que nasce fora da estação. Estações do ano... Lembra-se Clara? Primavera, das flores; Verão, do calor; Outono, das frutas; Inverno do frio... Embora hoje tudo esteja muito diferente do meu tempo, quando tudo era na época certinha. Agora é uma confusão no clima, no tempo, por causa de muitos fatores que interferem na natureza, como é o caso do aquecimento global. Há um desequilíbrio no Planeta; na flora e na fauna... As plantas e os animais estão sofrendo as consequências das mudanças no clima da Terra. Por isto o tempo está tão diferente da minha época, esclarecia a mãe. É... O mundo está mesmo de cabeça para baixo! Só falta laranja nascer em pé de mamão, melão em pé de jabuticaba, jaca em pé de pitanga e uva nascer em pé de mexerica. Já imaginou que confusão? Vovó só repete, balançando a cabeça com desânimo: - este mundo está mesmo perdido, de ponta cabeça! Que confusão danada das frutas nascerem em árvores trocadas! Até que ia ser muito engraçado, mas não ia dar certo não!... Maçã com gosto de goiaba, ameixa com sabor de limão e abacate com cheiro de manga. Rosa com cara de cravo, alface com jeito de manjericão, pepino da cor do tomate e sabor de agrião... Arroz com gosto de feijão!
          
Continua.... 
           

sábado, 27 de maio de 2017

O Trem


O trem treme no trilho

E traz trezentos trabalhadores.

O trem vem de Petrópolis.

Trinta e três desembarcam atrasados,

Duzentos e sessenta e sete

Seguem viagem...Outros na estação.

Treze sentam atrás.

Os outros sentam à frente.

O cobrador atrapalhado

Troca três por dois trocados.

No trânsito congestionado,

Todos pedem passagem.

Só o trem não fica travado.

Na trama do trilho o trem vai...

No atrito do tráfego entroncado,

Só o trem não se atrapalha:

O trem nunca erra o trajeto,

Nunca deixa a estrada de ferro

Segue a viagem... Abafa o berro.

Traz atriz, traz trapezista,

Traz trombone, traz artista
Traz espartilho e saia.

Traz tranca para porta de trinco,

Traz trova, traz travesseiro e prato.

Traz o trágico professor de teatro.

Traz trecos, traz trupe, atores...

Traz índio da tribo tabajara...

Traz trapos e cobertores.

Traz estrondo dos tambores

E tropas de cavalos e burros.

O trem todo dia trabalha,

Já carregou mais de um trilhão

De tralhas e gente em frangalhos.

Traz cacarecos. Traz trigo, traz milho,

Apetrechos, trevos, bonecos e grilos,

Jogadores, tabuleiros e baralhos.

O trem nunca pega a contramão.

No fim da viagem, troca de carro e carvão.

O foguista enfim descansa

E apaga a grande fornalha.

O motorneiro trava a cancela,
Apaga o cigarro de palha.

O trem para na estação,

Faz barulho de trovão

Chia, treme e solta fumaça:

Piu ... Piu ...

E esvazia o vagão, 

O carregador descarrega a bagagem,
O passageiro entrega a passagem,

E o palhaço faz graça e trapaça
E afaga a pança em ridícula massagem.

Francisco toca o trombone na praça

E todo mundo alegre se abraça.



quinta-feira, 25 de maio de 2017

A Circunferência






                                                                 Ilustração: Internet

A circunferência não tem nó.
É um abraço extenso,
Ponto rente ao ponto
Feito ciranda infantil...
Na circunscrição
A circunferência
É um traço só.

Não tem começo nem fim,
Pois seu limite é sutil.
É de barbante,
É de metal,
É de cipó...


Autora: Valéria Áureo






Lulúpulas

Lulúpulas O que são “lulúpulas” Senão o que ela quer, E deseja, E pega, E vê? Não sei se são doces, Balas, caramelos, e...