domingo, 26 de julho de 2020

Emergente caligrafia – O Almoço


                                                     Ilustração: Internet


No teu prato quis fazer-te poesia,
Arrumando arranjos, beijo ambrosia,
Folhas de alfaces florais, ao meio-dia; 

Eram teus cinco anos e alguns dias.
Verdes tão claros, água e turmalinas;
Algas marinhas de esperanças, quando tu me sorrias.
Quis servir-te sonhos, doces de alecrim e alegrias,
Para saciar-te a fome de fantásticas perguntas e geometrias.

Com espumas brancas de mar e açúcar confeitei...
Fractais desenhados na toalha de mesa.
Cristais quebrei.
Quis servir-te poemas de chocolate por sobremesa ...
Água fresca da talha. Lágrimas jorrei.

Quebrada a casca
Do ovo nasceu precoce e bela,
A emergente caligrafia. Aos três e poucos anos.
Clara a abrangência de sintagmas e enigmas,
Como luz acesa, de teu coração cartesiano;
Óbvia a lucidez de um teorema, flutuante,
Para tua cabeça atenta. Ouço planos
De um menino de sonhos e cálculos...

Dar-te beijos, era o meu mais tímido projeto.
O garfo farto para, já sem fome. Sobra o prato...
A gema resta intocada e luzidia, sobre a clara rota.
Deste-me o sol iluminado, quente, como um arquiteto,
Ardendo em muitos raios, reflexo repartido,
No meu coração perplexo,  qual bebida espumante,
No sorriso de tua pequenina boca, então contido.


Autora: Valéria Áureo

To: Hubert A. C. S. Fonseca

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