sábado, 22 de setembro de 2018

Os Desenhos de Maitê




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Ela poderá saber desenhar no futuro, tão bem como o bisavô Zoberto. Quem saberá dizer dos dons que traz em sua bagagem? Talvez ela possa ser uma brilhante desenhista, que possua em sua tinta o poder da síntese, a discreta autoridade da crítica e a arte do encantamento. Talvez ela possa desenhar assim, como tem feito em seus primeiros traços, riscos e rabiscos, com o seu olhar de criança recém-chegada no mundo, onde tudo é novidade. Ela, que parece conseguir ver além das primeiras formas e cores, insiste dizer que a cor é lilás, o céu é rosa, a baleia é verde e a tartaruga é roxa. Ela, sempre atenta, intervém no papel, concebendo muito além dos tons e nomes que criamos para as coisas, e das aparências indecifráveis que criamos para as pessoas. Ela intervém peremptória com suas mãos céleres e cobre em rabiscos todo o papel com a tinta azul.


Ela poderá fazer tudo isso e muito mais que concebemos em nosso mundo de razões, porém, se não tivesse em quantidade transbordante o amor, o desenho seria tão relevante como uma mancha de nanquim entornado em uma toalha branca. Ao contrário, ela é uma graciosa arte.


Tudo bem não saber desenhar, por enquanto... Ou saber muito além de minhas limitadas percepções... Quem poderá dizer que quando rabisca o papel, já não sabe desenhar misteriosa e precocemente os fractais resplandecentes, que recolheu no caminho de sua viagem espiritual para a Terra, porque, como anjo atento, veio memorizando o caminho de luz, até a barriga de sua mãe.


Eu conheço você e o seu amor, quando está ao meu lado. E, pelo tamanho dele, esse amor imenso, dentro do coração vermelho (zemelho/memelho), tenho certeza que a fé e a esperança estarão sempre juntas de nós. Seu coração será permanentemente a ponte mais firme, segura e resistente para a nossa alma, que nos levará para todos os lugares do universo.


Autora: Valéria Áureo


In: Entre Mente e Corações

quinta-feira, 30 de agosto de 2018

Quem é ela?


Estamos nos conhecendo. Amorosamente, nos conhecendo nas primeiras carícias na pele. Tudo em torno é suavidade e primeiro olfato. Ela ocupa um espaço pequenino, mas o mundo é ainda menor para tanto. Ela ocupa tudo. Não é mais a ideia de sua vinda do universo da concepção, mas a concretude de sua existência física, palpável, nas delícias do tato.
Ela é! Respira, tem hálito e alma, desde o momento em que se instalou no pequeno berço do corpo materno, onde fez ninho... Ah! O amor que se vai construindo a cada expectativa do que virá a ser, a cada toque, a cada sorriso, ou inquietação... Por que chora? Por que as lágrimas são tão grandes no rosto tão pequeno? São os primeiros rios de água doce a ocupar o sal de minha alma.
Ah! Ela chora porque ainda não me conhece na minha amplitude serena da idade, no outro extremo de sua chegada, na alma plenitude conseguida com tempo e adequação. E nem eu mesma sou aquela que acreditava ser ainda ontem, e que ainda me descubro refletida nos olhos dela, onde me procuro nadando, nadando, nadando...
A pequena que se faz na urdidura dos afagos, do leite, do amor, ocupa o universo já na sua tíbia percepção e me olha profundamente e ri. Ela investiga o meu rosto, eu investigo o rosto dela e assim nos reconhecemos: eu, a mãe do pai, no outro lado da linha, sou ponto de uma tapeçaria. Reflito sobre a calmaria dos anjos enquanto ela dorme. Sou ponte e sou porto. E nessa costura de ternuras, ela me mostrará a cada dia quem eu sou - pois me faço diferente todos os dias. Hoje eu sei que sou avó! Avó da Maitê!


Autora: Valéria Áureo
To: Hubert, Carol, Maitê, Candice e Luiz Fernando

Lulúpulas

Lulúpulas O que são “lulúpulas” Senão o que ela quer, E deseja, E pega, E vê? Não sei se são doces, Balas, caramelos, e...